23/03/10

Os Marcadores de Livros



Há algum tempo foi-me oferecido por um amigo. Mas nunca o li.
No dia da oferta acabou por ficar esquecido no carro dele. Entretanto passaram-se meses e sempre que eu e esse meu amigo falávamos, ele dizia, tenho o teu livro, temos que combinar um dia para to entregar. Encontrámo-nos dezenas de vezes e sempre nos esquecemos do livro apesar de sempre nos termos lembrado dele. Este fim-de-semana fui jantar a casa do meu amigo, e num momento de silêncio ele foi buscá-lo, disse-me, aqui o tens, não te esqueças de o levar. Em vão, que me esqueci outra vez.
Ao longo do tempo, curiosamente, o livro não tem estado quieto à minha espera. Já foi lido e apreciado por outras pessoas. Provavelmente, no dia que me vier parar às mãos, terá os vincos dos outros compassos de leitura, outras marcas e outros despojos. E quem sabe, do meio das páginas surjam as tais cápsulas do tempo, um papel de rebuçado, uma lista de compras, um recibo da companhia dos telefones...

Há livros que não querem ser lidos enquanto não sobrecarregarem um certo número de histórias.