21/09/09

Sonho Lúcido

Os seus frágeis ouvidos matutinos notaram o barulho quando o comboio parou. Estremeceram, um tanto incomodados com o vaivém de gente a entrar e a sair da estação, então, viraram-se para o lado silencioso, o do sono ténue da manhã.

Tinha acordado no exacto momento que chegara ao Porto.
Deixou-se ficar. Enfiou-lhe as mãos pelo casacão adentro e apressou as coisas, fez por tropeçar no olhar dele. Sabia que os longos beijos, aqueles que se dão no cinema, também podem existir nas plataformas dos comboios, por entre gente, quotidiano e camadas de roupa de Inverno. Então, podia deixar-se ficar meio cá, meio lá, mais um pouco. Pelo tempo de um longo beijo.
Até porque depois cada um havia de ir para seu lado. Ele não sei para onde, e ela por ali. Sentada na cama, meio zonza. Estremunhada com certo cheiro inventado, que a havia de seguir ao volante do carro, pela segunda circular, a caminho do trabalho e da realidade.