Prefiro ler o livro e só depois ver o filme.
Na realidade não me parece importante a escolha, são dois universos diferentes. Mas acontece que, quando se trata de filmes baseados na literatura, gosto de "ver" primeiro o livro. O motivo é simples, sou tão interesseira, que quero ser eu a imaginar todas as elipses, close-ups, fade intos e fade outs da história. Depois de regalada com o meu, que venha então o filme dos outros. E esta temática vem a propósito do seguinte. Este fim-de-semana vi Elegia, "o tal filme com a espanhola e o Gandhi". Claro, já tinha lido o livro que lhe deu corpo (e que corpo), O Animal Moribundo do Philip Roth, que é um grande livro a propósito de várias realidades, entre elas, as relações e o envelhecimento e o sexo. Como diz o autor, através da extraordinária personagem que criou, o professor David Kepesh (o Gandhi da libertinagem) numa passagem interessante - mas que creio, só constar do livro - Kepesh compara o sexo a uma forma de arte medíocre, e assume que se trata do acto em que vingamos morte.
E o professor vingou-a bem.
O filme.
Mete alguma lamechice, e uma realização por afinar, mas por outro lado tem os ingredientes e as imagens que interessam: as relações e o envelhecimento e o sexo e a Penélope Cruz e o Ben Kingsley e o Dennis Hopper e a Patrícia Clarkson. E isto, my friends, nos tempos que correm vale oiro.
