13/12/10

Alexander Portnoy

Ela estava tão profundamente implantada na minha consciência que durante o meu primeiro ano de escola eu julguei, tanto quanto me lembro, que cada uma das minhas professoras era a minha mãe disfarçada. Assim que soava o último toque eu precipitava-me para casa, perguntando a mim próprio, enquanto corria, se seria possível chegar ao nosso apartamento antes de ela conseguir transformar-se. Mas ela já estava invariavelmente na cozinha quando eu chegava, pronta a servir-me o leite e as bolachas. Em vez de pôr fim ao meu delírio, no entanto, tal proeza limitou-se a intensificar o meu respeito pelos seus poderes.

E como é que o meu pai reagia a tudo isto? Bebia - não whisky, como um goy, claro, mas óleo mineral e leite de magnésia; e mascava E-Lax; e comia All-Bran de manhã e à noite; e emborcava frutos secos sortidos aos pacotes de quilo. Sofria - e de que maneira! - de prisão de ventre. A ubiquidade dela, e a prisão de ventre dele, a minha mãe entrando a voar pela janela do quarto, o meu pai a ler o jornal da tarde com um supositório no cu ... eis, Senhor Doutor, as primeiras impressões que tenho dos meus pais, dos seus atributos e segredos.



Alexander Portnoy é das melhores personagens que encontrei nos livros.
Uma vénia para Roth com este livro, que é essencialmente um monólogo, um relato, constante deambulação e crítica muito crua a uma série de convenções, hebraicas, que transpiram de forma muito cómica da mente do judeu Alexander Pornoy, quando este está na cadeira do seu psicanalista, para a mente de quem lê este hilariante livro.