Ontem não tive a sorte de comer uma sandes de leitão preparada pela Nanda, e beber uma bejeca, e ter visto o Zé, assim, em ambiente futegalhofeiro. Ontem não fiz parte dos 31% (entre os que assistiam tv) que viram o Zé. Também não fiz parte dos outros por cento (entre os que assistiam tv), que preferiram ver o "Feitiço de Amor" e a "Flor do Mar". Ontem, as pessoas preferiram quiches de bróculos, néctares de fruta e novelas às sandes de leitão, às bejecas e ao Zé (entre os que assistiam tv). Ontem ninguém pôs as bandeiras penduradas da janela, ninguém quis saber. Anteciparam a derrota no jogo, o último lugar no campeonato. Ninguém se interessou pelos lances do Zé, pelo quanto ele se esforçou, pelos remates à baliza, e pelos golos que o árbitro considerou fora-de-jogo. O Zé foi roubado, mas fez um grande jogo, disse o próprio, com humildade.
Acho que há, de facto, qualquer coisa no Zé. Que tem potencial e está ao nível dos grandes clubes europeus (qualquer dia não se admirem com uma transferência). O Zé, tem nome e feitio de outro grande português do mundo da bola, e eu acho que também ele é especial, mas enquanto estiver por cá, as pessoas vão preferir ver as novelas aos seus lances duvidosos de bola no chão, pé para pé.
Mais que bom ou mau jogador, mais ou menos fiteiro, ele tem qualquer coisa. O Zé irrita muita gente, e eu acho que não é só por causa do seu modo estiloso de passar a bola (e da fita no cabelo).
Os Zé's irritantes, além de tomarem conta do nosso futebol, são muito engraçados e interessantes. Mais que uma qualquer novela da tvi.