Andava com uma bola de papel na mala. Durante muito tempo andei com ela na mão. Mas, pouco a pouco, fui passando a bola da mão para o bolso, do bolso para a mala, até que um dia, ao passar por um cesto do lixo, peguei no papel amassado, já gasto pelo suor das minhas mãos, e com um certo gozo atirei-o lá para dentro. Assunto arrumado, era lixo. E não havia grande volta a dar, a não ser que me predispusesse a remexer no lixo, e a enfiar a cabeça dentro do balde para recuperá-lo.
Às vezes dava-me jeito que fosse assim. Gostava de tratar os assuntos com a ligeireza e método com que se trata o lixo. Que certos subprodutos da vida fossem, por determinação, engano ou gesto mais ou menos fugaz, parar ao balde do lixo. Dando lugar a outros. Que o sortido de temas diários e as emoções quotidianas, fossem consecutivamente despejados no balde orgânico, para que não transbordasse com o risível. Que o papel e o cartão, fossem aglomerados noutro contentor, à parte, o das temáticas ou pensamentos mais densos. Que oportunamente nos voltam às mãos, com outro aspecto, depois de reciclados. E os vidros seriam os assuntos quebradiços. Aqueles que provocam as feridas mais profundas quando não são tratados com a devida calma e cuidado.
Às vezes dava-me jeito que fosse assim. Gostava de tratar os assuntos com a ligeireza e método com que se trata o lixo. Que certos subprodutos da vida fossem, por determinação, engano ou gesto mais ou menos fugaz, parar ao balde do lixo. Dando lugar a outros. Que o sortido de temas diários e as emoções quotidianas, fossem consecutivamente despejados no balde orgânico, para que não transbordasse com o risível. Que o papel e o cartão, fossem aglomerados noutro contentor, à parte, o das temáticas ou pensamentos mais densos. Que oportunamente nos voltam às mãos, com outro aspecto, depois de reciclados. E os vidros seriam os assuntos quebradiços. Aqueles que provocam as feridas mais profundas quando não são tratados com a devida calma e cuidado.