São assim. Senhoras. A minha amiga do parque de estacionamento, chega às duas e fica até às dez a cobrar tickets. Encontramo-nos cinco minutos por dia, o suficiente para ela me falar do tempo. Falamos da roupa, se vai estar bom para estender ou não. Pelo meio ela diz-me que o outro penteado me assentava melhor e eu sorrio, e não faço reparo ao dela. Depois no outro dia fazemos o mesmo, falamos do tempo e assim, todos os cinco minutos de cada dia. A senhora do café não me fala do tempo, só das suas pernas cansadas. Ela tem problemas de circulação. E eu também. Cabras nas pernas. Falamos das nossas cabras. E ela diz-me que dorme a correr e eu digo-lhe que durmo à pressa, o que só faz mal às cabras das nossas pernas. Também falo com a senhora do quiosque, a mulher do senhor do blusão de cabedal preto. Falamos de tabaco e de jornais. E de Gormitis, ela tem uma teoria, e eu outra. Mas não interessa para aqui. Ela diz-me que não resiste e compra o jornal sábados e domingos. Eu digo-lhe que também. E nos outros dias também. Porque não tenho um quiosque. Ela entende. A outra senhora da minha rua desce e encontra-se comigo a meio, para o almoço. Eu subo. Não são todos os dias mas é de vez em quando. Falamos do atletismo dela e do meu badminton. E do tempo. E das cabras. E de outras coisas. Só nossas. Que nos pomos a adivinhar, assim como fazem as senhoras.