03/03/09

Trinidad

No dia nove do nove de dois mil e nove, Trinidad, o perdigueiro português escolhido para acompanhar a primeira missão turista espacial, embarcou na VIRGIN GALACTIC. A cadelinha abanava o rabo enquanto se aproximava do vazio no espaço. Com ela viajavam mais cinco tripulantes, duas mulheres e três homens. Trinidad não fazia a mínima ideia por que fora a escolhida para aquilo, talvez por ter bom faro, ora nisso ela sempre fora boa. Viajavam há dias na órbita de Marte e a cadela não parava de abanar o rabo, de contente que estava. Ao trigésimo dia de viagem o aparelho aterrou. Os homens tinham andado à deriva e não sabiam onde estavam. Assim que as portas se abriram, Trinidad desatou a fugir, farejava que nem uma perdida, sentia o vento a favor. Andou dias e dias a farejar o novo espaço, até que voltou, com um coelho na boca. Os homens fizeram uma festa e deram a Trinidad uma taça com uma bebida cor-de-laranja, que ela bebeu num só sorvo, e abanava o rabo. Os homens assaram o coelho e deliciaram-se com o repasto. Um a um, os tripulantes, à excepção da cadela foram ficando mal dispostos, amarelos, caídos no chão. Trinidad não saia do pé deles, lambia-os, sem excepção. Ao fim de alguns dias os homens continuavam a dormir e a cadela resolveu tomar os comandos da VIRGIN GALACTIC. Fez jus a Pavlov e conseguiu descolar o aparelho sem grandes problemas. Regressou à terra. Foi recebida com pompa e circunstância.

Mas nunca mais abanou o rabo.